Alexander von Humboldt, o famoso explorador alemão que foi proibido de entrar no Brasil por suspeita de ser espião | Ciência e Saúde

Ilustração de lhama feita por Alexander von Humboldt — Foto: Alexander von Humboldt fotografado por Joerg Anders/Museus Estatais de Berlim


O alemão Alexander von Humboldt nasceu em 1769, em Berlim, e é até hoje considerado um dos mais importantes exploradores e cientistas do mundo. A jornada dele pela América Latina, que durou cerca de seis anos, é comparada a uma espécie de “segundo descobrimento” do continente. Nessa viagem, Humboldt escreveu quatro grandes livros sobre os países latino-americanos, mas um deles ficou de fora de suas pesquisas: o Brasil.

Além da contribuição para a ciência, Alexander von Humboldt também ficou conhecido pelas críticas que fez ao sistema colonial vigente na América Latina no período. Ele criticou a escravidão e a exploração da natureza do continente pelos europeus.

Quando deixou Madri, na Espanha, para começar sua expedição pela Venezuela entre junho e agosto de 1799, Humboldt tinha apenas permissão da Coroa Espanhola, que dominava boa parte do continente.

Ao chegar à América Latina, Humboldt escreve relatos em que se diz impressionado com a coloração e a variedade da vegetação e dos animais. Em um primeiro momento, Humboldt ficou perto de Caracas, na Venezuela e depois começou sua expedição pelo rio Orinoco.

A viagem foi de 75 dias. Alexander von Humboldt e Aimé Bondplan, médico e botânico que o acompanhou na jornada pelo continente, percorreram mais de 2250 quilômetros de mata fechada. Em todo o percurso Humboldt fez anotações e desenhos dos os animais e das plantas que encontrava pelo caminho. Um registro completo da fauna e da flora da região que até então era desconhecida.

Ilustração de lhama feita por Alexander von Humboldt — Foto: Alexander von Humboldt fotografado por Joerg Anders/Museus Estatais de Berlim

Ilustração de lhama feita por Alexander von Humboldt — Foto: Alexander von Humboldt fotografado por Joerg Anders/Museus Estatais de Berlim

Um dos seus estudos mais importantes na América Latina é o mapeamento do canal do Cassiquiare — a comprovação de que existe uma ligação entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas. Humboldt foi o primeiro cientista a confirmar o encontro entre as duas bacias e a apontar a sua localização exata. A essa altura, em maio de 1800, a expedição dos cientistas já havia chegado ao extremo sul da Venezuela, na fronteira com o Brasil.

Humboldt então decide entrar em território Brasileiro para continuar suas pesquisas, mas é impedido pela coroa portuguesa que nesse momento dominava o país. O historiador alemão Frank Holl, autor de uma das mais importantes biografias de Humboldt, explica que o governo português teve receio de que o alemão fosse um espião.

“Foi encontrado um manuscrito do príncipe regente do Brasil, Dom João, endereçado ao governante da capitania do Ceará. Dom João pediu que se Humboldt tentasse entrar em território brasileiro, medidas rigorosas fossem tomadas para proteger a América Portuguesa”.

A coroa portuguesa acreditava que Humboldt poderia ser um espião infiltrado e que traria novas ideias que poderiam ameaçar a soberania de Portugal na região. “A tensão entre o governo espanhol e o governo português era grande, e isso foi o principal fator para dificultar a entrada de Humboldt em território brasileiro”. Dom João chegou a ordenar que, se Humboldt entrasse no Brasil, deveria ser diretamente enviado da Amazônia para Lisboa.

O pesquisador alemão continuou sua jornada por outras regiões da América Espanhola e se tornou conhecido pela luta contra as opressões da escravidão dos indígenas em vários países. Especialistas também consideram Alexander von Humboldt um dos primeiros ambientalistas do mundo porque, com seus estudos sobre zonas climáticas, ele apontou que o comportamento humano poderia alterar a natureza.



Fonte: G1