Caso Marielle: PF faz buscas contra tentativa de atrapalhar investigação


Operação envolve força federal para apurar obstáculos ao trabalho de investigação e, nesse primeiro momento, inclui apenas mandados de busca e apreensão

Por
Da Redação

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21 fev 2019, 09h38 – Publicado em 21 fev 2019, 09h15

A Polícia Federal realiza, na manhã desta quinta-feira, 21, na cidade do Rio de Janeiro uma operação para apurar tentativas de atrapalhar as investigações da execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

A investigação sobre as causas da morte corre sob sigilo e é conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. De acordo com a PF, as medidas, que incluem neste momento apenas mandados de busca e apreensão sem nenhum pedido de prisão, foram pedidas pelo Ministério Público estadual e determinadas pela Justiça.

“Ressalte-se que as investigações a cargo da Polícia Federal se restringem à identificação de entraves e obstáculos dirigidos à investigação dos crimes, estando a cargo dos órgãos de segurança do Estado do Rio de Janeiro a apuração da autoria, motivação e materialidade de tais eventos criminosos”, diz o órgão, em nota.

Tensão

O envolvimento da PF para apurar suspeitas de interferência na apuração do crime foi anunciado em novembro pelo então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Ele confirmou, como havia sido informado pela coluna Radar, que esse era um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A suspeita era que agentes públicos e milicianos estivessem tentando impedir a solução do caso.

Em entrevista coletiva, o ministro da Segurança afirmou que depoimentos colhidos pelo Ministério Público Federal (MPF) indicavam essa atuação da quadrilha e demandavam uma apuração externa à Polícia Civil, o que provocou uma reação inflamada de duas associações de delegados fluminenses, o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindelpol-RJ) e a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-RJ).

Para as entidades, Jungmann estava “dando maior credibilidade à palavra do referido criminoso em detrimento de agentes do Poder Público de notória história de combate à criminalidade” e queria faturar politicamente com o caso. Com o fim do governo Temer, a pasta da Segurança foi incorporada à da Justiça, ambas comandadas atualmente pelo ministro Sergio Moro.



Fonte: Veja