Cenipa começa investigação sobre queda de avião na zona norte de SP


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que deu início à investigação sobre a queda de um avião de pequeno porte na tarde de sexta-feira (30) na Avenida Antônio Nascimento Moura, próximo ao aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. Duas pessoas morreram e doze ficaram feridas. A aeronave atingiu uma casa e danificou pelo menos outras duas na região.

Deverão ser reunidos para análise dados como fotografias, partes da aeronave, documentos, além de relatos de testemunhas. “A investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram”, informou. O prazo de conclusão dependerá da complexidade do acidente.

O avião, de modelo Cessna C210, havia acabado de decolar do Campo de Marte, às 15h55, com destino a Jundiaí, no interior paulista, quando caiu. Segundo o Corpo de Bombeiros, os corpos do piloto e do copiloto foram retirados de dentro da aeronave.

As vítimas são Guilherme Murback e Leonardo Yamamura. A mãe de um deles passou mal ao chegar ao local do acidente e foi socorrida por uma ambulância.

 

 

Entre os feridos, sete eram pedestres que passavam pelo local do acidente e cinco estavam dentro das casas atingidas pela aeronave. Três feridos foram levados para o Hospital Geral da Vila Penteado, na zona sul, e um foi socorrido ao Hospital Samaritano, na região central. Nenhum dos feridos corre risco de morrer e o foco do incêndio foi controlado.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, dez viaturas foram deslocadas para o local onde a aeronave caiu. Por volta das 18h20, as buscas por vítimas no local foram encerradas e o local, isolado.

O Aeroporto do Campo de Marte ficou fechado para pousos e decolagens das 15h57 até as 16h55, segundo a Infraero. Ele chegou a ser fechado novamente depois, mas em decorrência da chuva que atingia a capital paulista no fim da tarde desta sexta.

A aeronave que caiu era do modelo Cessna C210, de prefixo PR-JEE, segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela pertencia a um empresário do setor imobiliário e de venda de automóveis — era um representante da Mitsubishi. O dono não estava a bordo.

O peso máximo de decolagem era de 1,7 tonelada e a aeronave comportava até cinco passageiros. A inspeção anual de manutenção da aeronave tinha validade até 13 de dezembro deste ano. A Anac aponta que o avião estava registrado sob a categoria de serviços aéreos e que o certificado de aeronavegabilidade estava válido até 2022.

Desativação

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse na sexta esperar que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), cumpra a promessa de fechar o Campo de Marte, na zona norte. Antecessores de Covas também já prometeram limitar ou encerrar as atividades do terminal. 

Em agosto de 2017, o então prefeito e hoje governador eleito, João Doria (PSDB), firmou com o presidente Michel Temer acordo sobre o local. A União se comprometeu a ceder 400 mil metros quadrados do terreno ao município para um projeto que incluiria um museu aeroespacial, um parque (em fase de projeto) e, por último, o fim das operações de aviação executiva.

“Esperamos agora que o governo eleito (Bolsonaro) possa dar continuidade àquilo que foi combinado com o atual governo (Temer), que é a vinda gradual daquele espaço para a prefeitura e a desativação do aeroporto”, disse Covas ontem. 

Doria defendia a desativação da pista, afirmando que vários aeroportos funcionais em implementação no entorno da capital poderiam substituir o Campo de Marte, que ficaria só com a aviação de helicópteros. Mas justamente essa possibilidade de repassar decolagens e pousos de aviões de pequeno porte para outras cidades que sempre empacou qualquer tipo de negociação.

Nesse assunto, Doria combinava com o ex-prefeito Fernando Haddad. O petista até fez pedido oficial à Aeronáutica para tirar a operação de asa fixa de lá. Antes, Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB) e Celso Pitta também cogitaram transformar a área em parque.

Aeroporto é seguro, dizem especialistas

O Campo de Marte, que opera com aviação geral, com voos executivos e escola de pilotagem, já registrou diversos acidentes com aeronaves e helicópteros. Especialista em prevenção de acidentes, Luiz Alberto Bohrer diz que o aeroporto tem condições regulares e está dentro das normas e regras de segurança para pousos e decolagens.

“O aeroporto não é perigoso, mas há um risco maior para as casas que ficam no seu entorno. Um risco que existe no entorno de qualquer aeroporto”, diz. Para ele, o número alto de acidentes no local pode ser explicado pelo tipo de operação.

Segundo Bohrer, a aviação comercial tem, em geral, maior fiscalização do que a aviação geral. “As exigências e a fiscalização são menores e isso dá margem para que o nível de risco se eleve. O proprietário de um avião pequeno é o responsável pela manutenção da aeronave e pela contratação de pilotos experientes e que respeitem as regras de treinamento.”

Décio Correa, presidente do Fórum Brasileiro de Aviação Civil, diz que uma das causas mais prováveis para esse tipo de acidente é de uma pane na decolagem. “É o momento em que se exige o máximo possível de potência do motor para que a aeronave possa ganhar altura”, explica.

Correa diz que as condições do aeroporto são seguras e que não há nenhuma irregularidade na proximidade com as residências. “A maioria dos aeroportos do mundo está no meio do cidade”, diz. Aurélio dos Santos, major da reserva da Aeronáutica e especialista em investigação de acidentes aéreos, também diz que o local é seguro para pousos e decolagens.



Fonte: Veja