Cerca de 580 estudantes fazem provas da segunda fase do vestibular do ITA | Vale do Paraíba e Região


Cerca de 580 estudantes fazem nesta segunda (10) e terça-feira (11) as provas da segunda fase do vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um dos mais concorridos do país.

Neste ano, o instituto adotou um novo modelo de provas e o sistema de cotas para negros pela primeira vez. Ao todo, mais de 10,7 mil candidatos se inscreveram para o vestibular e os mais bem classificados passaram para esta segunda etapa.

A nota de corte foi 5,83 para quem optou por não seguir a carreira militar e 6,04 para quem optou pelo ingresso na Força Aérea Brasileira. As provas da segunda fase, que acontecem nesta segunda e terça-feira, terão 30 questões dissertativas entre matemática, química, física e redação.

Com um dos vestibulares mais concorridos do país, o ITA mantinha o modelo de provas há pelo menos 60 anos, quando foi criado na década de 50.

O ITA oferece 110 vagas em seis cursos de engenharia, sendo aeronáutica, mecânica-aeronáutica, eletrônica, civil-aeronáutica, computação e aeroespacial. O resultado será divulgado no dia 21 de dezembro.

Em São José dos Campos, sede do ITA, 153 candidatos farão as provas da segunda fase. Em Fortaleza, serão 174 concorrentes. Também haverá aplicação de provas em São Paulo (35), Belém (8), Belo Horizonte (14), Brasília (24), Campinas (5), Curitiba (15), Goiânia (9), Juiz de Fora (5), Londrina (4), Natal (1), Porto Alegre (6), Recife (9), Ribeirão Preto (3), Rio de Janeiro (91), Salvador (9), São José do rio Preto (4), São Luis (1), Teresina (8) e Vitória (5).

Além da mudança no formato das provas, outra novidade do vestibular do ITA neste ano é que a instituição passa a considerar cotas para negros – modelo já aplicado em outras grandes instituições do país.

De acordo com o edital, das 110 vagas, 22 são destinadas aos que autodeclararem negros. Ao todo, 1.033 se inscreveram para concorrência entre as vagas para cotistas negros.

A adoção do sistema de cotas reflete uma decisão do STF, de abril, que decidiu que a lei de cotas também deve ser aplicada em concursos das Forças Armadas. Apesar da reserva de vagas, todos os candidatos que concorrerem pelas cotas vão ser submetidos a uma comissão para avaliar a autodeclaração.

O edital do vestibular afirma que, apesar das cotas serem oferecidas pela autodeclaração como negro, há uma portaria normativa do Ministério da Defesa de 25 de junho de 2018 que estipula que a condição do candidato deve ser avaliada por uma ‘comissão de heteroidentificação’.

Segundo a normativa, o candidato cotista, após a aprovação será submetido a uma comissão avaliadora composta por cinco pessoas que vão observar “as características fenotípicas do candidato”, ou seja, traços, cor da pele e outras características que comprovem a autodeclação.

Para embasar a declaração, o candidato pode ainda apresentar documentos que comprovem sua condição como negro.

A decisão da comissão tem peso de eliminação do candidato. De acordo com o documento, o serão eliminados do processo seletivo os candidatos cujas autodeclarações não forem confirmadas em procedimento de heteroidentificação, ainda que tenham obtido nota suficiente para aprovação na ampla concorrência.



Fonte: G1