Estudantes e professores de institutos federais do RS participam de atos contra corte no orçamento | Rio Grande do Sul


Servidores e estudantes de institutos federais do Rio Grande do Sul participaram de atos simbólicos nesta segunda-feira (13) em protesto contra o corte orçamentário anunciado para a educação pelo governo federal. O anúncio foi feito no dia 30 de abril.

Em Rio Grande, no Sul do estado, aproximadamente 200 pessoas deram as mãos, representando um abraço em apoio ao Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A manifestação foi por volta das 10h.

“Em 2017, fizemos muitos cortes na nossa infraestrutura básica de funcionamento: diminuímos estagiários, equipe de limpeza, vigilância, portaria, campanha para economia de água e luz, ou seja, fizemos nosso ‘tema de casa’. Agora, com todas as contas justas, sem deixar de pagar absolutamente nada, tivemos, neste primeiro momento, de suspender nossas bolsas de ensino, pesquisa e extensão”, lamenta o diretor-geral do IFRS, Alexandre Machado.

De acordo com o diretor-geral do Instituto, o IFRS teve um corte de R$ 18,549,952, o que corresponde a 30% do orçamento de custeio e investimento anual, que é de R$ 61.833,180. O Instituto tem 17 campi.

À noite, a reitoria da instituição se reúne com os pais dos alunos para apresentar os impactos do corte no orçamento.

Estudantes e servidores dão abraço simbólico no IFFar – Campus Panambi — Foto: Divulgação/Nicole HackEstudantes e servidores dão abraço simbólico no IFFar – Campus Panambi — Foto: Divulgação/Nicole Hack

Estudantes e servidores dão abraço simbólico no IFFar – Campus Panambi — Foto: Divulgação/Nicole Hack

Também pela manhã, em Panambi, no Noroeste do estado, servidores e discentes do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) fizeram uma pausa nas atividades para um momento de reflexão sobre a situação financeira das instituições públicas de ensino.

O ato também contou com um abraço simbólico no campus do município. A manifestação irá se repetir ao longo do dia.

De acordo com o instituto, o contingenciamento no campus de Panambi pode chegar a 42% do orçamento, o que equivale a uma redução financeira de cerca de R$ 900 mil.

A redução no valor repassado pelo governo federal pode prejudicar o pagamento de contratos de vigilância, limpeza, manutenção predial e de equipamentos, energia elétrica, fornecimento de água, internet e telefonia. Também deve impactar eventos institucionais, compra de insumos para os laboratórios e materiais de expediente.

Já os auxílios destinados à assistência estudantil, como transporte, alimentação e permanência, estão garantidos, segundo o IFFar.

Comunidade acadêmica reunida para refletir sobre as medidas anunciadas pelo governo federal — Foto: Débora Padilha/RBS TVComunidade acadêmica reunida para refletir sobre as medidas anunciadas pelo governo federal — Foto: Débora Padilha/RBS TV

Comunidade acadêmica reunida para refletir sobre as medidas anunciadas pelo governo federal — Foto: Débora Padilha/RBS TV

O ato se repetiu em Passo Fundo, na Região Norte. Por lá, a comunidade acadêmica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) reuniu-se pela manhã e à tarde para debater sobre as medidas anunciadas pelo Ministério da Educação. Alunos e professores também deram um abraço simbólico no prédio do instituto.

“Imediatamente, devido ao bloqueio, nós já estamos tomando algumas medidas de redução dos custos. Já reduzimos a questão das visitas técnicas, que é uma questão muito importante para um aluno de curso técnico, de curso superior em engenharia, em ciências da computação, onde eles reconhecem a prática em outras instituições e empresas”, enumera o diretor do IFSul de Passo Fundo, Alexandre Pitol Boeira.

A redução no orçamento do IFSul Passo Fundo é “bastante acentuada”, segundo o diretor. Boeira diz que o contingenciamento é da ordem de R$ 1 milhão dentro de um universo de R$ 2,4 milhões. “O que nos sobra é o mínimo para os serviços mais básicos”, constata.

Comunidade acadêmica do IFFar também realiza ato em Santa Maria — Foto: Thiago Guedes/RBS TVComunidade acadêmica do IFFar também realiza ato em Santa Maria — Foto: Thiago Guedes/RBS TV

Comunidade acadêmica do IFFar também realiza ato em Santa Maria — Foto: Thiago Guedes/RBS TV

Em Júlio de Castilhos, na Região Central do estado, o abraço simbólico também contou com a participação de alunos e servidores do IFFar. Por conta da chuva, o ato foi feito pelos corredores do instituto. Lá, estudam 1,1 mil alunos.

Estudantes leram ainda uma carta aberta dos institutos federais pedindo ajuda da comunidade para que se mobilize contra o corte de verbas. A manifestação terminou com aplausos.

O campus de Júlio de Castilhos tem orçamento de R$ 3,5 milhões e já teve bloqueio de R$ 700 mil, segundo a direção. Para evitar que as aulas parem no segundo semestre do ano, o diretor passou de sala em sala pedindo economia de luz e para que todos ajudem na limpeza.

Para realizar a limpeza do campus, eram 16 funcionários. Três já foram cortados. O instituto afirma que pode haver corte de outros terceirizados.

A atividade, segundo o IFFar, integra um movimento nacional sincronizado em todas as unidades dos institutos federais do país.

Bolsas de pesquisa suspensas

UFCSPA é uma das universidades afetadas pelos cortes no RS — Foto: Divulgação/Luciano ValérioUFCSPA é uma das universidades afetadas pelos cortes no RS — Foto: Divulgação/Luciano Valério

UFCSPA é uma das universidades afetadas pelos cortes no RS — Foto: Divulgação/Luciano Valério

Na última semana, outra medida envolvendo a educação foi anunciada pelo governo federal. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) decidiu suspender a concessão de bolsas de mestrado e doutorado. O total de bolsas, as áreas de pesquisa e o valor congelado não foram divulgados.

Somente nas universidades federais do Rio Grande do Sul, segundo levantamento feito pelo G1 junto às instituições, 218 bolsas de pesquisa foram canceladas.

Reitores afirmam que o impacto será grande, e prejudicará estudantes e projetos de todas as áreas no estado.

“Em médio e longo prazo, as pesquisas de todas as áreas, que são desenvolvidas conjuntamente por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos em seus programas, deverão sofrer. É óbvio que vai haver, não diria uma interrupção, mas vai haver um prejuízo”, estima o pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Celso Giannetti Loureiro Chaves.

O bloqueio de bolsas não atinge estudantes com pesquisas em andamento. O valor mensal por pesquisador é de R$ 1,5 mil no mestrado e R$ 2,2 mil no doutorado.



Fonte: G1