Existe uma fórmula para a felicidade? Especialista responde

Jovens felizes


Esta semana a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o Relatório Mundial da Felicidade que alerta para os níveis de felicidade da população de 156 países avaliados. O documento – referente ao desempenho entre os anos de 2015 a 2019 – revelou que o Brasil caiu quatro posições desde a última análise, saindo do 28º, em 2014, para a 32º lugar. Apesar disso, ainda somos o segundo país mais feliz da América do Sul, atrás apenas do Chile (26º).

Ainda assim, os analistas informaram que a conclusão geral indica que a infelicidade aumentou em todo o mundo, resultado impulsionado especialmente pela desconfiança em líderes políticos e pelo uso intenso das redes sociais. Esses achados foram encontrados através da análise de diversos aspectos do cotidiano, incluindo PIB per capita, ausência de corrupção, apoio social, expectativa de vida, longevidade, liberdade, vida saudável e generosidade.

Em entrevista a Deutsche Welle, Jan Delhey, da Universidade Otto von Guericke, na Alemanha, disse que os itens usados para medir a felicidade de uma nação tem como objetivo identificar o nível de satisfação das pessoas com a vida que levam. Mas, para o sociólogo, ainda existe outra forma de mensurar a felicidade a um nível individual. A fórmula, desenvolvida por ele, considera três noções: Ter, Amar e Ser.

A fórmula da felicidade

Grau de felicidade = ter + amar + ser

  • O “Ter” faz parte do objetivo de muitas pessoas: a riqueza;
  • O “Amar” diz respeito a todas as relações sociais (família, amigos, relacionamentos amorosos);
  • O “Ser” é mais complexo, pois refere-se ao significado que o indivíduo atribui à própria vida. Além disso, pode incluir o planejamento da vida e a resposta que recebemos do ambiente, como apoio (ou falta dele).

Para cada pessoa esses quesitos têm valores diferentes, mas nenhuma pode ficar de fora, pois apenas com as três é possível alcançar um nível de satisfação pessoal. “Um milionário que é solitário não marcaria a nota 10 da escala de satisfação com a vida. E, da mesma forma, quem só tem o mínimo para sobreviver pode ter uma vida familiar ótima, mas é improvável que marque um 9 ou 10”, comentou Delhey.

Influências externas

Segundo o especialista, a receita da felicidade também sofre influências externas, relacionadas às raízes culturais e ao lugar em que se vive. Por causa disso, ele ressaltou que para um resultado assertivo é preciso considerar essas variáveis. Em locais em clima de expansão econômica, como a China, por exemplo, a felicidade é geralmente associada ao sucesso e ao dinheiro. No entanto, nas sociedades ‘pós materialistas’, o ‘amar’ e o ‘ser’ são mais importantes. Esse é o caso do Reino do Butão, no Himalaia.

Por lá, existe o Ministério da Felicidade e medidores próprios de felicidade, instaurados para alcançar uma sociedade mais justa, equitativa e harmoniosa. No país, esses medidores buscam determinar ‘felicidade nacional bruta’ considerando nove áreas: padrão de vida, saúde, bem-estar mental, educação, distribuição do tempo, boa governança, sentimento comunitário, diversidade ecológica e cultural. Aliás, o Butão é considerado o iniciador do Dia Internacional da Felicidade, que é celebrado no dia 20 de março. A data foi adotado pela ONU em 2012.

Ainda pouco conhecida ou comemorada, o data comemorativa representa o reconhecimento da felicidade como meta humana fundamental. Por isso, a ONU pede que seus Estados-membros elaborem as políticas nacionais com base nesse valor.

A questão econômica

O ranking da felicidade global tem nas primeiras posições países escandinavos: Finlândia, Dinamarca, Noruega e Islândia. Em seguida estão mais países europeus: Holanda, Suíça e Suécia. Segundo a Business Insider, essas nações estão entre as 30 mais ricas do mundo, com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, para Delhey, os dados econômicos por si só não refletem o estado de uma sociedade. “Por muito tempo, se disse que, numa sociedade rica, a vida é necessariamente boa. E exatamente os Estados Unidos, em particular, nos mostram que esse não é o caso. O país está entre os mais ricos, mas tem uma carga incrível de problemas sociais”, afirma.

Isso se comprova no resultado. Os Estados Unidos ocupam a 12ª posição no ranking dos mais ricos, mas na felicidade está apenas em 19º. Já a Finlândia, que é a 26ª nação com maior poder econômico, está em primeiro lugar no quesito felicidade. O mesmo vale para Dinamarca (22ª), Noruega (7ª) e Islândia (16ª). O especialista explica que essa disparidade é justificada por outros aspectos, como o nível de prosperidade, a coesão social, as condições de igualdade social e a qualidade da governança pública. Para os países no topo do ranking, todos esses itens foram muito bem avaliados – diferente de outras nações ricas ou emergentes, como Estados Unidos e Brasil.



Fonte: Veja