‘homecoming’ tem julia roberts e um climinha de suspense com cara de instagram; e é ótima | Blog Legendado


São dez episódios de meia hora. Meia dúzia de personagens. Uma história baseada num podcast. Um climinha de conspiração meio sufocante. Um visual meio instagram. 60% das cenas são um close na cara da Julia Roberts. E é uma das melhores coisas no ano na TV (/streaming/etc).

“Homecoming”, produção da Prime Video (serviço de streaming da Amazon), conta a história de Heidi Bergman, vivida por Julia Roberts, uma garçonete num restaurante sebento de beira de estrada que começa a se dar conta de que não se lembra de uma parte de seu passado recente. Estamos alguns anos no futuro (que tem zero cara de futuro, muito pelo contrário), e um oficial do Departamento de Defesa americano aparece para fazer perguntas sobre o lugar em que ela trabalhava uns anos antes, uma instituição que recebia soldados que voltavam de suas missões fora dos EUA. Só que ela não se lembra de quase nada…

A série vai e volta no tempo para mostrar a obstinação solitária do funcionário do governo em investigar uma queixa feita ao departamento pela mãe de um dos soldados e a vida de Heidi em 2018, quando ela trabalhava como terapeuta nessa instituição, chamada Homecoming.

A instituição pertence a um grande conglomerado empresarial, e Heidi a princípio acredita que seu trabalho é ajudar os soldados a se ajustarem à vida civil. Só que aí ela começa a notar que nada é exatamente o que parece e vai descobrindo que o tratamento dos traumas de guerra dos soldados é uma espécie de experimento do qual ela faz parte.

Heidi acaba desenvolvendo uma relação de afeto com um dos pacientes, Walter Cruz, com quem faz sessões de terapia e a quem quer ajudar de verdade, mas é constantemente confrontada pelo seu chefe irritante, Colin (Bobby Cannavale, canastrão como sempre), que telefona o tempo todo – ele está sempre em algum outro lugar – para cobrar resultados, questionar sua conduta e encher o saco.

Todos os episódios da série são dirigidos por Sam Esmail, o cara por trás de “Mr. Robot” (cuja primeira temporada foi uma das coisas mais legais dos últimos tempos, não vamos esquecer), que faz uma direção muito milimetricamente caprichada. Uns planos longos, umas tomadas meio exóticas, umas imagens desfocadas, umas cenas meio coreografadas que no conjunto começam a cansar um pouco – mas na maior parte do tempo a série é visualmente linda. Incluindo a obsessão com os closes na Julia Roberts.

A série tem o tempo todo um climinha de suspense e é bem difícil conseguir parar de assistir. Por fim, os episódios de meia hora numa série que não é comédia poderiam virar tendência (não pra tudo, claro): a série foca no que é necessário, é rapidinha, não exige tanto. E, com um final ótimo, compensa o investimento. Assista.

Estreou a esperada “My Brilliant Friend”, na HBO, baseada na badalada série de livros da (misteriosa) italiana Elena Ferrante, que começa com “A Amiga Genial”. Tentei ler o primeiro, não me empolguei, assisti ao primeiro episódio da série e achei extremamente chato, talvez pelos mesmos motivos que me fizeram largar o livro. Não me xingue. Ainda darei uma chance, claro, mas tenho dúvidas se vai funcionar para quem já não é fã das tais amigas da série. Volto para avisar.

Estou atrasada, mas também é porque gosto de ver sem pressa: a segunda temporada de “The Deuce”, também da HBO, está uma coisa linda de morrer. Que série, amigos.

Comecei a ver a segunda temporada de “Ozark”, no Netflix, e simplesmente esqueci de continuar. Significa?

Estou sofrendo com essa terceira temporada de “The Good Place” (uma das melhores comédias no ar hoje, ou a melhor). Sou só eu? Será que a série está fadada a perder a graça? A história se esgotou?

Enfim terminei a segunda temporada de “The Good Fight”: uma das coisas mais legais do ano, recomendo fortemente.

Daqui a pouco estreia sabe o quê? A segunda temporada de “Maravilhosa Sra. Maisel”, também no Prime Video. Foi só a série mais legal de 2017 e acho que a única unanimidade entre todo mundo para quem recomendei: todo mundo adorou e veio agradecer. De nada.

Cláudia Croitor — Foto: G1 Cláudia Croitor — Foto: G1

Cláudia Croitor — Foto: G1



Fonte: G1