Honda vai compensar energia gasta em nova fábrica em SP com expansão de parque eólico no RS | São Carlos e Araraquara

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) — Foto: Gabrielle Chagas/G1


A Honda vai utilizar energia do vento para suprir a fábrica de Itirapina (SP), inaugurada nesta quarta-feira (27) com um investimento de R$ 1 bilhão. Trata-se de um modelo compensatório: a montadora vai produzir, em seu parque eólico no Rio Grande do Sul, o mesmo tanto de energia usada para fabricar os veículos no interior de SP, e entregá-la à rede nacional.

O anúncio foi feito pelo presidente da Honda na América Latina, Issao Mizoguchi. “Afirmo com orgulho que todos os carros fabricados em Itirapina irão utilizar energia limpa”, disse.

O parque eólico, pioneiro no setor automotivo brasileiro, vai passar por uma expansão. Ele está localizado na cidade de Xangrila-Lá.

Até 2021, todos os modelos feitos pela marca no Brasil sairão das novas linhas de montagem – o primeiro transferido é o Fit, com 90 unidades diárias.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antônio Megale, a inauguração da fábrica consolida a expectativa de expansão do mercado, que cresceu 10,6% de janeiro deste ano até agora.

“Sabendo que estamos passando por uma transformação extraordinária nos termos de indústria automobilística mundial, é importante que a gente invista em pesquisa de desenvolvimento e inovação e esse programa nos traz isso”, disse Megale.

Megale disse ainda que deixa a presidência da Anfavea no fim do mês com o sentimento de dever cumprido. “Acredito que a gente está vendo um início de recuperação e um setor mais organizado daqui para frente. Essa recuperação será bem sentida e nós veremos isso muito rapidamente”.

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) — Foto: Gabrielle Chagas/G1

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) — Foto: Gabrielle Chagas/G1

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que com a recuperação do mercado as condições físicas da fábrica permitem a expansão de produção e, consequentemente, a geração de mais empregos.

“Quero dizer que R$ 1 bilhão de investimento é algo substantivo, não é apenas para Itirapina, mas é para São Paulo e para o Brasil. Estamos falando de investimento parte já consolidado e parte a consolidar nesses próximos quatro anos, é especialmente importante”, declarou.

Fábrica da Honda em Itirapina, SP — Foto: DivulgaçãoFábrica da Honda em Itirapina, SP — Foto: Divulgação

Fábrica da Honda em Itirapina, SP — Foto: Divulgação

De acordo com a fabricante, a nova unidade tem capacidade nominal de produção de até 120 mil carros ao ano, dividida em dois turnos, e contará com a experiência dos funcionários transferidos da planta de Sumaré.

Por enquanto, 400 colaboradores já trabalham em Itirapina – até 2021 serão 2 mil. Com a transferência, não haverá novas contratações.

A marca aponta ainda que a fábrica segue as melhores práticas de produção da Honda no mundo, com tecnologias otimizadas de estamparia e solda, além do novo processo de pintura da carroceria, com base d’água.

Na fábrica de Sumaré, permanecerão atividades como produção do conjunto motor, bem como como fundição, usinagem, injeção plástica, engenharia da qualidade, planejamento industrial e logística.

Honda inicia as operações em nova fábrica de Itirapina (SP) — Foto: Divulgação/HondaHonda inicia as operações em nova fábrica de Itirapina (SP) — Foto: Divulgação/Honda

Honda inicia as operações em nova fábrica de Itirapina (SP) — Foto: Divulgação/Honda

Fruto de um investimento de R$ 1 bilhão, a fábrica de Itirapina começou a ser construída em 2013, ocupando uma área de 5,8 milhões de metros quadrados. Ela ficou pronta em 2016, mas sofreu dois adiamentos do início de suas operações pela forte crise que atingiu o mercado brasileiro.

Em entrevista ao G1, Issao Mizoguchi disse que a unidade só seria aberta quando houvesse reais condições – na época, segundo o executivo, não existia demanda suficiente para duas fábricas operando, portanto, ela não produziria nem o equivalente a 1 turno.

“Você contrata as pessoas, força para trabalhar 1 turno, depois se certifica de que não tem jeito, vai ter que parar mesmo. Aí você vai demitir de novo… não tem muito sentido”, concluiu o executivo na época.

Para ele, um mercado favorável seria o de 3 milhões de emplacamentos. Na prática, ainda não chegamos lá, mas estamos perto. De acordo com a Fenabrave, em 2018 foram pouco mais de 2,5 milhões de veículos vendidos.



Fonte: G1