Ifes de Itapina limita gastos com pesquisas e criação de animais diante de corte de verbas do MEC | Espírito Santo


Para se adequar ao corte de verba anunciado pelo Ministério da Educação (MEC), o campus de Itapina do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no Noroeste do Estado, vai cortar gastos com a criação de animais. As pesquisas feitas na unidade também serão afetadas, segundo o Instituto.

Das 900 galinhas criadas na unidade, só restaram 160, que também serão abatidas em breve. O galpão que seria usado para pesquisas e produção estava quase pronto, mas a obra precisou ser interrompida. Os cortes também vão afetar outras criações.

“Nós vamos reduzir em 50% o setor de suínos, aproximadamente. A piscicultura vai ter uma grande perda também. Com falta de ração, a gente não alimenta, o peixe fica doente”, disse o coordenador geral de Gestão do Campo, Wilson Pancieri.

A maior preocupação está na pecuária de leite. Além de prejudicar a produção, a redução da quantidade de animais também coloca em risco as pesquisas na área de melhoramento genético.

A maior preocupação está na pecuária do leite — Foto: Reprodução/TV GazetaA maior preocupação está na pecuária do leite — Foto: Reprodução/TV Gazeta

A maior preocupação está na pecuária do leite — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Todo o trabalho desenvolvido ao longo de anos leva tempo para ser recuperado. “No mínimo, uns 10 anos, para poder voltar tudo que agente tem aqui hoje”, opinou Pancieri.

O campus do Ifes de Itapina gasta R$ 1 milhão por ano só com alimentação animal. Por isso, os cortes começaram. Mas o diretor administrativo de planejamento, Bruno Barbieri, explica que a instituição vai ter que reduzir mais gastos para se adequar ao novo orçamento.

“A gente já fez esse planejamento, enviou no início do ano para o governo, o governo faz ajustes, aprova e manda de volta pra gente ter o aval para executar. Com esse corte agora, a gente vai ter que começar a reduzir. A gente não reduz gastos, a gente trabalha com a educação como investimento. Então a gente começar a reduzir em cima da qualidade do nosso ensino”, lamentou.

A redução de 38% no orçamento representa quase R$ 2 milhões a menos para pagar as contas básicas e investir nas pesquisas. Por isso, mesmo economizando, o recurso em caixa deve durar por pouco tempo.

“Se a gente trabalhar da melhor forma possível, com a qualidade que temos, até julho a gente consegue se manter. Por isso, a gente vai fazer alguns cortes, a gente vai reduzir ao máximo sem tirar a qualidade para tentar chegar com esse valor até setembro”, disse Barbieri.

No Ifes são desenvolvidas pesquisas em diversas áreas da produção agrícola. Todo conhecimento é levado para o produtor rural, principalmente por meio dos projetos de extensão, quando o aluno vai a campo praticar o que aprendeu. Mas, com os cortes, tanto os projetos de extensão quanto so de pesquisa quanto de extensão serão reduzidos.

O laboratório de análises de solo do Ifes está entre os cinco melhores do país, mas já falta reagente químico para as pesquisas. Os planos de reabrir as portas para o produtor rural também serão adiados.

Laboratório de análises do solo do Ifes de Itapina está entre os 5 melhores do país — Foto: Reprodução/TV GazetaLaboratório de análises do solo do Ifes de Itapina está entre os 5 melhores do país — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Laboratório de análises do solo do Ifes de Itapina está entre os 5 melhores do país — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O MEC diz que os recursos podem ser desbloqueados caso o cenário econômico melhor. Mas, até lá as perdas serão grandes e algumas difíceis de recuperar.

“Esse tipo de agricultura e pecuária a gente não pode esperar. Os animais precisam ser alimentados, a agricultura tem um ciclo. Em cima disso a gente vai precisar fazer esses cortes. Isso vai impactar direto na qualidade do ensino, que é o que a gente sempre prezou até hoje.

Cerca de 1,2 mil alunos do Noroeste do Espírito Santo, Leste de Minas Gerais e Sul da Bahia estudam no Ifes de Itapina. A falta de dinheiro preocupa os estudantes.

“A gente está naquela expectativa de ir para um mestrado, conseguir emprego, mas a gente precisa terminar o curso para isso”, disse a estudante de agronomia Fátima Boni.

“A gente tem receio que sejam cortados esses benefícios, porque a gente depende disso para se manter, Eu não sou de Colatina, então isso influencia bastante na minha estadia aqui”, finalizou o estudante de agronomia Leandro Fernandes.

Assista à versão desta reportagem que foi ao ar no ES2:

Ifes de Itapina, ES, anuncia corte de verbas

Ifes de Itapina, ES, anuncia corte de verbas



Fonte: G1