Morre Bruno Ganz, ator suíço que interpretou Hitler no cinema


Ele tinha 77 anos e fazia tratamento contra um câncer

Por
AFP

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16 fev 2019, 17h53

O ator suíço Bruno Ganz, famoso por seu papel como anjo em “Asas do desejo” e Adolf Hitler em “A Queda! As últimas horas de Hitler”, morreu neste sábado, 16, em Zurique, na Suíça, aos 77 anos.

“Sim, (faleceu) hoje nas primeiras horas do dia”, disse à AFP sua agente, Patricia Baumbauer, confirmando a morte do ator. “Estava com câncer”, acrescentou.

Os médicos diagnosticaram um câncer intestinal em julho do ano passado, o que lhe impediu de ser o narrador da ópera de Mozart “A flauta mágica”, no último Festival de Salzburg, onde foi substituído por Klaus Maria Brandauer.

Nascido em Zurique, filho de um mecânico suíço e mãe de origem italiana, era considerado como um dos atores de língua germânica mais importantes do pós-guerra, tanto no teatro como no cinema.

O papel mais conhecido de Ganz foi Adolf Hitler em “A queda: As últimas horas de Hitler” lhe valeu a consagração em 2004. Foi uma das primeiras produções alemãs dedicadas ao “Führer” em um país que segue traumatizado pela lembrança do nazismo.

Os críticos elogiaram a sua interpretação neste longa-metragem indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa, e que conta os últimos dias do tirano nazista ao final da Segunda Guerra Mundial.

Sobre interpretar Hitler no cinema, o ator disse à imprensa em 2005 que precisou “construir um muro ou uma cortina de ferro” em sua mente para se distanciar do ditador, com quem ele não queria passar suas “noites no hotel”.

“Me ajudou o fato de não ser alemão, porque pude colocar o meu passaporte entre Hitler e eu”, declarou Ganz à imprensa em 2005.

Carreira

Em 1996 recebeu o Anel de Iffland, propriedade do Estado austríaco, uma distinção concedida ao ator teatral de língua germânica mais importante do momento e, portanto, digno de ser o sucessor do ator, dramaturgo e diretor teatral alemão August Wilhelm Iffland.

Antes de triunfar nas telonas, Bruno Ganz, um autodidata que abandonou a escola na adolescência, trabalhou como ator em teatros alemães de prestígio.

Nascido em 1941, decidiu deixar seus estudos para se dedicar completamente à interpretação, apesar dos temores de seus familiares. Para seguir seu sonho, se mudou nos anos 1960 para a Alemanha, onde trabalhou como livreiro e motorista de ambulância.

Converteu-se efetivamente em ator em meados dos anos 1970 e começou a se distinguir em filmes como “O amigo americano”, em 1977.

Entre os papéis que interpretou destacam-se o de anjo Damiel no filme “Asas do desejo”, no qual seu personagem espia e analisa a cidade de Berlim antes da reunificação. O filme ganhou a Palma de melhor direção no Festival de Cannes de 1987.



Fonte: Veja