Nasa anuncia a “morte” do robô Opportunity


Oito meses após perder contato com o rover, que estava em Marte desde 2004, agência declara sua missão oficialmente encerrada

Por
A. J. Oliveira

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13 fev 2019, 18h33 – Publicado em 13 fev 2019, 18h29

Uma das missões de exploração robótica mais longevas e bem-sucedidas da história chegou ao fim nesta quarta-feira, 13 de fevereiro. Depois de passar oito meses tentando reavivar o rover Opportunity, que está em Marte desde janeiro de 2004, a Nasa oficializou a “morte” do robô. Ele não resistiu à tempestade de areia de proporções descomunais que cobriu todo o planeta vermelho em junho do ano passado. Com os painéis solares encobertos por uma grossa crosta de poeira, ficou impossibilitado de captar energia.

Desde então, a Nasa já transmitiu mais de 600 comandos ao pequeno explorador solicitando que acordasse e mandasse um sinal de vida. Nada adiantou. Mas o Opportunity viveu bem mais do que o esperado. Foram 15 anos muitíssimo bem vividos, com muitas histórias científicas para contar. Ele pousou em solo marciano ao lado do Spirit, seu irmão, que operou por quase seis anos. A Nasa já estaria satisfeita se ao menos um dos rovers durasse meros 90 dias, mas os dois mostraram que não estavam para brincadeira. Para o Opportunity, a sobrevida superou os 5,4 mil dias. Em meio ao sobe-desce do acidentado relevo marciano, aos trancos e barrancos, o jipinho robótico rodou um total de 45 quilômetros. Explorou mais de 100 crateras, sobreviveu ao frio causticante e a inumeráveis tempestades de poeira.

Mas o fenômeno extremo que ocorreu em junho de 2018 estava fora de qualquer precedente. A tempestade que engoliu Marte e decretou o fim do Opportunity foi a pior das últimas décadas no planeta vermelho. Definitivamente, foi uma morte honrada para um robô memorável. “É o fim da primeira grande roadtrip marciana”, disse à revista New Scientist o ex-diretor de voo da missão, Mike Seibert. As investigações levadas a cabo pelo rover mudaram completamente as concepções que tínhamos do planeta vermelho.

“Marte deixou de ser um lugar distante, pouco compreendido, para se tornar um mundo real que os humanos podem almejar”, destacou Steve Squyres, diretor científico da missão. A principal reviravolta que os dois rovers proporcionaram foi referente ao passado marciano. Acontece que, antes de 2004, os cientistas encaravam Marte como um planeta seco e estéril. Mas as evidências desveladas pelo Spirit e pelo Opportunity insistiam em dizer o contrário. 

Minerais que só se formam na água salgada, argilas de regiões onde havia água potável e com todas as condições favoráveis à vida, leitos de lagos e cursos d’água. Estava tudo lá, eternizado no solo, à espera de um explorador que nos mostrasse. Missão cumprida, bravo Opportunity. Seu legado já tem lugar reservado e de destaque na história da exploração espacial. Agora descanse em paz; ao menos por enquanto. Quem sabe, daqui a uma ou duas décadas, a humanidade não envie uma missão tripulada a Marte – e ela possa  varrer a poeira do robô e trazê-lo de volta à vida.



Fonte: Super Interessante