Papa faz fiéis de todo o mundo vibrarem em Abu Dhabi, no Oriente Médio


“Nós, cristãos do Iêmen, te amamos”: O pequeno cartaz exibido durante uma missa do papa Francisco, nesta terça-feira (5), em Abu Dhabi, simbolizou o caráter cosmopolita da cerimônia religiosa, única em seu gênero.

O estádio “Zayed Sport City” não pôde abrigar todos os fiéis chegados dos quatro cantos dos Emirados Árabes Unidos e de outros lugares.

Todos foram para a capital, que vive desde domingo ao ritmo da visita papal, a primeira de um pontífice à Península Arábica, berço do Islã.

O vizinho Iêmen, atingido há quatro anos por devastadora guerra à qual se acrescenta uma enorme crise humanitária, esteve presente nos pensamentos de Francisco.

O pontífice iniciou a sua visita dizendo que orava pelos iemenitas e depois exortou na segunda-feira, em uma reunião inter-religiosa, à paz neste país pobre pelo qual o Cristianismo foi introduzido na Península Arábica no século XIX.

‘Jesus está aqui’

Um imenso clamor se elevou no estádio quando o papa chegou. O papamóvel parou para permitir que Francisco abençoasse duas meninas que saíram da multidão e foram até ele.

O fervor era evidente na multidão, na qual, segundo a Igreja local, havia 100 nacionalidades diferentes, e que se instalou dentro e fora do estádio, onde foram colocados telões.

O número de participantes oscilou entre 120.000 e 170.000, segundo as fontes. Os organizadores esperavam 135.000 presentes.

Cerca de 4.000 foram ao evento e também foi possível ver mulher com suas abayas pretas – mantos usados pelas muçulmanas – e usando salto agulha.

“Jesus está aqui hoje para abençoar a todos, não somente os cristãos”, disse à AFP Lucy Watson, uma indiana de 61 anos. “E se eu continuar falando, vou começar a chorar”, acrescentou.

“É uma oportunidade única para ver o papa com meus próprios olhos”, assegura a fiel.

O papa, Jorge Bergoglio, filho de imigrantes italianos que cresceu em uma Argentina multicultural, fez alusão às dificuldades das pessoas desenraizadas.

“Com certeza não é fácil, para vós, viver longe de casa e talvez sentir, além da falta das afeições mais queridas, a incerteza do futuro”, disse durante a sua homilia, feita em italiano e traduzida por alto-falante ao árabe. 

Excepcionalmente, o papa celebrou a missa em inglês, à frente de uma grande cruz.

“Formais um coro que engloba uma variedade de nações, línguas e ritos”, assinalou, ao saudar a “jubilosa polifonia da fé” que a Igreja constrói.

A população dos Emirados Árabes Unidos é composta em 85% por estrangeiros, entre eles milhões de trabalhadores do sul da Ásia.

A esperança de um milagre

A multidão, parte da qual foi transportada em 2.000 ônibus, esperou longamente no estádio, enfeitado com as cores do Vaticano.

Para Kaushala Fonseka, uma jovem de 25 anos, esta é a segunda missa que ela assiste após a que Francisco celebrou durante uma visita a seu país, Sri Lanka, em 2015.

“Tenho o privilégio de tê-lo visto duas vezes na minha vida”, disse a jovem à AFP.

Mas hesita quando perguntada sobre que espera da visita papal.

“Milagres sempre podem acontecer”, sussurra. “É tudo o que posso dizer”, acrescenta.

A indiana Célestine Saldanhana, que vive nos Emirados Árabes Unidos há 20 anos, acredita que o mais importante é a bênção do papa a sua família. 

“Só aspiro ao bem-estar da minha família”, afirma.





Fonte: O Tempo