Quem é organizado tem menor risco de demência, diz estudo


Responsabilidade, autocontrole e foco são características que podem reduzir em 20% o risco de doenças neurodegenerativas

Por
Redação

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19 mar 2019, 18h51 – Publicado em 19 mar 2019, 18h07

Pessoas mais organizadas podem estar menos propensas a desenvolver demência, afirma estudo publicado no mês passado na revista Neuroepidemiology. Segundo os pesquisadores, para esses indivíduos – que tendem a ser mais responsáveis e focados nos próprios objetivos – o risco de ser diagnosticado com uma doença neurodegenerativa pode diminuir em 20%.

A explicação para esse resultado é que bons níveis de organização garantem maiores reservas cognitivas – caracterizadas pela capacidade do cérebro de resistir a lesões que interferem no funcionamento cerebral, como, por exemplo, o surgimento de placas amiloides, conhecidas pela relação com o desenvolvimento do Alzheimer

Esse não é o primeiro estudo a apontar essa relação. Em 2007, uma pesquisa publicada na Archives of General Psychiatry explicou que essa proteção pode também estar associada ao fato de que, em geral, pessoas mais conscientes evitam riscos que podem causar morte prematura, como fumar, beber ou levar uma vida sedentária. Essas atitudes ainda ajudam a reduzir a probabilidade de doenças cardiovasculares – que, para alguns médicos, pode estar relacionado ao declínio cognitivo.

O estudo

Os novos resultados foram baseados no acompanhamento de 875 pessoas com idade entre 71 e 82 anos, que foram orientadas a responder a questionários para determinar traços de personalidade predominantes em cada um deles. Os pesquisadores observaram duas características particulares: a conscienciosidade (que ajuda a definir se a pessoa é meticulosa, organizada) e a abertura para experiências (que indica os níveis de criatividade, curiosidade intelectual e disposição para procurar o novo). Segundo a equipe, pesquisas anteriores haviam demonstrado que a presença desses traços pode garantir proteção contra doenças neurodegenerativas.

O risco de demência dos participantes foi medido através de uma combinação de histórico médico, prescrição para medicamentos para a doença ou declínio cognitivo clinicamente significante. Esses fatores eram medidos a cada seis meses. Os cientistas ainda consideraram outros fatores de risco como idade, sexo, raça e nível educacional.

Proteção cognitiva

Os resultados mostraram que indivíduos idosos que tendem a ser mais organizados podem apresentar menor risco de desenvolver demência. Essa proteção também pode se estender a indivíduos mais jovens. No entanto, nenhuma associação foi feita em relação àqueles que eram mais criativos. Ainda assim, a equipe revelou que o traço da conscienciosidade estava mais presente nos participantes com nível educacional mais alto – fator já conhecido por conferir certa proteção contra demência – com menos sintomas depressivos e menos diabetes. 

Para a equipe, a característica pode ter um efeito protetor, uma vez que promove um envelhecimento cerebral saudável, além de tornar as pessoas mais propensas a aderirem a comportamentos benéficos, como se exercitar, comer adequadamente, visitar o médico com regularidade e realizar os tratamentos recomendados pelos especialistas.

Além disso, esse estilo de vida saudável pode prevenir o surgimento de problemas de saúde conhecidos por elevar o risco de demência, como as doenças cardiovasculares. Esse traço da personalidade torna os indivíduos mais propensos a buscar maior conhecimento, o que pode contribuir para maior reserva cognitiva.

Apesar das descobertas, os cientistas admitem que houve algumas limitações, incluindo a medição da demência com base em algoritmos e não em diagnóstico clínico, assim como falta de uma investigação para verificar outros traços de personalidade que poderiam ter interferido nos resultados.



Fonte: Veja