Unicamp 2019: novos formatos elevam nº de pretos e pardos aprovados; índice da rede diminui | Campinas e Região


O número de candidatos autodeclarados pretos e pardos aprovados em primeira chamada para cursos de graduação na Unicamp em 2019 aumentou, segundo balanço divulgado na tarde desta quarta-feira (13) pela comissão organizadora do vestibular (Comvest). Os dados indicam que este grupo representa 38,2% dos 3,3 mil aprovados em diversas modalidades de seleção, índice superior aos 23,9% contabilizados na edição anterior, quando o único sistema de ingresso era o exame tradicional. O total de candidatos oriundos da rede, contudo, caiu de 49,2% para 48,7% no período.

Esta foi a primeira vez em que a universidade implementou cotas étnico-raciais no vestibular, com objetivo de elevar a inclusão social, e também permitiu acesso às carreiras por meio das notas obtidas pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, a Unicamp criou um vestibular indígena e reservou vagas em cursos para estudantes premiados em olimpíadas ou competições de conhecimentos realizadas entre 2017 e o ano passado. Veja abaixo detalhes.

“Surpreendeu que nós tenhamos ultrapassado a meta de 37,2% previsto pelo Consu [Conselho Universitário] para autodeclarados pretos e pardos. Isso mostra que a dinâmica foi efetivamente inclusiva, porque nem todos usaram as cotas. Concorreram e tiveram notas superiores aos candidatos brancos”, destaca o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto.

Segundo a Unicamp, 27,5% dos candidatos aprovados optaram pelo sistema de cotas. “O sistema previa mínimo de 25%, independentemente das notas, e havia um sistema que permitia um limite de até de 37,2%, desde que ultrapassassem a nota mínima da opção definida para cada curso […] Chegamos a 38% com candidatos que ingressaram por sistemas como olimpíadas”, complementa.

Aprovados na Unicamp

Modalidade Convocados Escola Pública Pretos e pardos Indígenas
Vestibular 2.613 1.053 (40,3%) 917 (35,1%) 02 (0,1%)
Enem 641 502 (78,3%) 354 (55,2%) 02 (0,3%)
Vestibular Indígena 66 66 (100%) —– 66 (100%)
Vagas Olímpicas 66 29 (43,9%) 22 (33,3%) —–
Todos 3.386 1.650 (48,7%) 1.293 (38,2%) 70 (2,1%)

Números da rede pública

Sobre a variação na quantidade de estudantes oriundos da rede pública, aprovados para cursos de graduação da Unicamp, Freitas Neto ponderou que as novos formatos aplicados resultaram em uma seleção mais equilibrada e com índices menos discrepantes entre as diversas carreiras.

“Ele corrigiu distorções. Uma bonificação elevada impacta em cursos de alta demanda, o que pode resultar em aumento na evasão porque o aluno poderia entrar sem muito preparo, e nos de baixa demanda também não parecia adequado. O sistema parece mais equilibrado, temos que considerar que parte dos aprovados veio do Enem e atingimos cidades e regiões que não são contempladas pelo vestibular da Unicamp”, pondera o coordenador.

Curso mais concorrido da universidade, medicina tem entre os aprovados 56% de estudantes oriundos da rede pública, enquanto que em 2018 o total de matriculados foi de 80%. A mudança, explica Freitas Neto, está na reformulação do Programa de Ação Afirmativa e Inclusiva (Paais).

O sistema, aplicado desde 2005, confere à nota final de cada fase do exame o seguinte benefício: 40 pontos para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas, e 20 pontos para os que fizeram todo o ensino fundamental II em unidades públicas.

Já os estudantes que realizaram ensino fundamental II e ensino médio na rede pública recebem 60 pontos às notas das provas. Por outro lado, autodeclarados pretos, pardos e indígenas deixaram de ser contemplados neste programa, diante da inclusão de novas formas de acesso.

“Temos um perfil de universidade em que queremos inclusão, representatividade, mas que também se preza por uma alta performance, liderança no sistema universitário brasileiro e latino-americano. Não podemos descuidar do processo de seleção”, ressalta Freitas Neto.

O coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Alex MatosO coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Alex Matos

O coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Alex Matos

Freitas Neto destacou, ainda, que 31 dos 66 cursos tiveram índice igual ou superior a 50% para candidatos que estudaram na rede pública; enquanto 18 ficaram entre 40% e 47,6%. Além disso, nenhuma carreira teve índice inferior a 31,1%, verificado para engenharia de produção.

“Considerando que a demanda não é homogênea, o número de cursos com menor número de estudantes de escola pública é pequeno”, avalia.



Fonte: G1