Unicamp aprova orçamento 2019 com previsão de déficit e uso de ‘reserva’ para equilibrar contas | Campinas e Região


O Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou na tarde desta terça-feira (11), por unanimidade, a proposta do orçamento 2019 na qual estima um déficit de R$ 169 milhões, apesar da expectativa de R$ 2,6 bilhões em receitas. A votação ocorreu em sessão extraordinária.

“Continuaremos a administrar a Unicamp com foco na sustentabilidade financeira e orçamentária, garantindo que as atividades acadêmicas continuem ocorrendo com excelência”, afirmou, em nota, a vice-reitora da universidade, Teresa Dib Zambon Atvars.

Diante de reflexos provocados pela baixa na quantidade de recursos disponíveis, decorrente da queda na arrecadação feita pelo estado a partir de meados de 2015, em meio à crise econômica nacional, a universidade estadual projeta usar no próximo ano, pela terceira vez consecutiva, aporte vinculado à “reserva estratégica”. O valor projetado é de R$ 164,5 milhões para, de acordo com a assessoria, cumprir o equilíbrio exigido pelas Leis de Finanças Públicas e de Responsabilidade Fiscal.

“Medidas como revisão de contratos, controle das contratações de pessoal, redução de despesas com diárias e passagens, redução das despesas de custeio e outras vão continuar em 2019, garantindo a preservação das atividades acadêmicas e assistenciais”, ressaltou a vice-diretora ao mencionar que, apesar do uso da reserva, a Unicamp ainda deve contar com R$ 470 milhões.

O total de receitas representa alta de 2,75% em relação ao valor indicado no orçamento deste ano.

  • R$ 2,1 bilhões para pessoal – inclui, por exemplo, programas de auxílio-alimentação, auxílio criança/educação, horas extras e de sobreaviso, módulos de plantões da área da saúde;
  • R$ 10,3 milhões – juros, encargos, amortizações e sentenças judiciais;
  • R$ 50,6 milhões – despesas de utilidade pública;
  • R$ 48,1 milhões – restaurantes e transportes;
  • R$ 114,7 milhões – despesas contratuais;
  • R$ 85,2 milhões – programas de apoio, incluindo manutenção de infraestrutura;
  • R$ 37 milhões – custeio de unidades;
  • R$ 60 milhões – projetos especiais;

Ao longo da proposta, a Aeplan ressalta também que a permanência estudantil deve receber investimento de R$ 84,7 milhões, e R$ 169,4 milhões serão destinados para assistência a servidores.

O valor total das despesas na área da saúde chega a R$ 498,5 milhões, destaca a Unicamp. O Hospital de Clínicas é referência para 6 milhões de habitantes; enquanto que o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) abrange 5 milhões de moradores de Campinas e região.

A principal fonte para financiamento das atividades é obtida por meio do repasse de valores arrecadados pelo estado com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) – 2,19% do total.

A Unicamp planeja reivindicar ao governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), um aumento de repasse prometido em 2005 pelo estado, ainda não efetivado, para tentar reequilibrar as contas da universidade. Ao G1, o reitor, Marcelo Knobel, destacou que também espera por um acréscimo no aporte para aplicação no HC, e negociar a abertura de um restaurante Bom Prato.

Procurada pela reportagem na ocasião, a assessoria de Doria informou que as demandas da universidade serão avaliadas pela gestão quando forem recebidas. O ex-prefeito da capital paulista foi eleito em 28 de outubro após receber 10.990.160 votos, o equivalente a 51,75% dos válidos.

Já a assessoria do governador Márcio França (PSB) informou que a abertura do restaurante na universidade foi autorizada e está previsto para 2019. Atualmente, a cidade conta com uma unidade na Rua Moraes Sales, onde serve diariamente 2,1 mil almoços e 300 cafés da manhã.



Fonte: G1